Desde cedo a arte sempre me atraiu de forma natural e intensa. Mantendo um diário durante a infância, tinha o hábito de escrever todos os dias, hábito que me garantiu que a fluidez das palavras fosse como andar de bicicleta. O teatro, a dança, enfim, o palco me enfeitiçava. Mas sempre havia uma racionalização no fundo da minha mente: Isso não é trabalho, isso não dá dinheiro.
Cresci e matei a arte junto da infância. Parei de escrever
(quando não era estritamente necessário) e passei a estudar como os jovens da
minha idade para o vestibular. Escolhi uma profissão que eu conhecia pouco por
um certo deslumbramento, sofri durante toda a graduação e escolhi o caminho
mais “fácil” ao me deparar com o fim dela. Pois o caminho mais fácil não era
tão mais fácil assim e me vi presa sem poder avançar nem retornar. Tentei o
plano B, C e D todos dentro do que a sociedade reconhece como trabalho. A arte
acenava para mim, eu ignorava. Sempre ignorei.
A essa altura no plano E, fracassando, a arte acena mais forte. Talvez seja hora de dar uma chance. Se dei 5 chances para o que a sociedade esperava de mim, não devo ter dado nem a segunda chance para minha paixão. Se foi a arte uma escolha pessoal, por que não consigo me desvencilhar dela? Eu a escolhi ou será que ela me escolheu?